segunda-feira, 13 de agosto de 2007

QUANDO OS LÓBIS UIVAM EM CABECEIRAS DE BASTO


"O que fez falta foi (...)
Uma cidadania ou prática política que ultrapasse a retórica dos bons princípios e que
encerre, uma vez por todas, o fosso chocante e degradante, entre os beneficiários da democracia do 25 de Abril, e são muitos, felizmente, e os desdentados de Cabeceiras de Basto.
(...)...todos têm direito a uma dentadura completa, mesmo que pertençam ao grupo dos mais velhos, com mais baixa literacia"
Ana Vicente (investigadora)
PÚBLICO 5 Agosto 2007


Cabeceiras de Basto; velhadas com baixa literacia, etc. e tal?!
Minha querida e bem intencionada investigadora, a senhora anda a precisar de lentes!
Tenho mesmo de contar porque foi que caí da minha arlinda abaixo, me parti todo e dei cabo do blusão a imitar cabedal.
Tudo começou quando recebi o comentário do meu primo cão velho. Cujo inenarrável teor, penso eu de que, já é do vosso conhecimento.
Sabem como é um homem apaixonado'...Agora imaginem um lobo. Pois montei a minha arlinda para ir tirar, pessoalmente, satisfações àquele velho babão. Mas na autoestrada lembrei-me da boca dele, desdentada, a tentar dizer "fonix". Nisto dá-me uma valente força de riso, desvairado, e não vi o velhadas que vinha direito a mim, em contramão.
Acordei no corredor de um hospital distrital qualquer(posso mesmo assegurar que não pertencia a Cabeceiras de Basto) com uma data de gente nas macas e nas cadeiras ali dispostas, todas desdentadas e a tentarem dizer...Isso mesmo que estão a pensar!...E eu todo partido e encolhido, para suster o riso, que me provocavam todas aquela bocas desdentadas, a tentarem pronunciar o luso prozac, "fonix".
Só quem tinha ali os dentes todos eram dois tipos, sinistros, vestidos de fato-inteiro preto que se abeiraram de mim e disseram:"deixamos aqui o nosso cartão, por sim ou por não".
Nisto vem a auxiliar de acção médica, rapariga linda e simpaticíssima que só não sorri mais porque, percebi depois, não tem dois dentes da frente e, confidenciou-me também, não sabe quando os irá ter,e correu dali com os gajos. Fiquei a saber que têm uma funerária denominada "7 Palmos de Terra".
A pobre da auxiliar, por causa deste seu gesto de compaixão, a partir dali passou a sofrer assédio moral, até não aguentar mais e tomar a iniciativa de se despedir. Se é que se pode chamar, iniciativa, a um gesto baseado em destroçamento psicológico... Agora, nem dentes nem côdea para a boca!
Aproveito aqui para lhe render a minha muito sentida homenagem. E desejar que não se deixe levar por aqueles maldosos que lhe dizem: "faz-te à vida rapariga!"
Não, não é isso que estão a pensar, é mais sobre umas coisas que fazem rir. E que coisa mais triste, ver tanta boca desdentada a rir neste pobre país!

3 comentários:

utopia-x-7 disse...

Há anos atrás, numa das suas crónicas na revista de um semanário, a Clara Ferreira Alves descrevia o seu encontro, no dentista, com um dos nossos grandes poetas que agora não me lembro, se era Ramos Rosa ou Herberto Helder,concluíndo que ela arranjava os dentes enquanto o poeta os extraía.
Daqui pode-se aferir que não são apenas os de baixa literacia a ficar sem os respectivos.

Anónimo disse...

Acho que o problema de Cabeceiras é o problema nacional.É tudo uma questão de pepino. Se não, reparemos.Se Angela Merkl decretou que o pepino ibérico é contraproducente, pois encerra a nível molecular uma bactéria perigosa para asaúde pública, não foi por causa de problemas secundários , como a gengivite ou apiorreia que o fez. Fê-lo por mor d ecousas mais graves e definitivas como por exemplo o passamento súbito e inesperado.Ora bem, mas isso é na Alemanha, que até tem duas partes distintas, a de leste e a outra, enquanto que nós em Portugal só temos uma parte. É a parte gaga, e é aí que entra o pepino.A crise do pepino há muito que se nota.Não é de agora, e muito menos monopólio das velhas desdentadas de Cabeceiras de baixo, nem sequer tem a ver com dentistas que são poetas nas hoars vagas ou o seu oposto. É tudo uma questão d eboa ou má utilização do pepino na hora de o trincar. Aí é que está o busilis da coisa.Animen-se.

Ena Pá! disse...

"enquanto que nós em Portugal só temos uma parte. É a parte gaga".

Ora, nem mais!!!